No mundo da alta engenharia, a busca pela perfeição não conhece limites de escala. Quando a Bugatti, fabricante dos automóveis mais velozes e sofisticados do planeta, uniu forças com a Jacob & Co., uma joalheria e relojoaria conhecida por sua audácia visual e complexidade técnica, o objetivo era claro: traduzir a força bruta e a elegância de um motor de 1.500 cavalos para a delicadeza de um pulso humano. O resultado dessa simbiose é uma série de relógios que não somente marcam o tempo, mas celebram a mecânica como uma forma de arte erudita.
Esta parceria, iniciada oficialmente em 2019, deu origem a peças que se tornaram patrimônios de colecionadores. Cada versão lançada reflete uma etapa da evolução da Bugatti, do poder bruto do Chiron à nova era híbrida do Tourbillon, mantendo sempre o compromisso com o que há de mais refinado em acabamento e inovação.
Twin Turbo Fast & Furious e o início da jornada
O primeiro capítulo dessa colaboração não buscou só estética, mas sim velocidade mecânica. O Twin Turbo Furious Bugatti Edition foi a peça que estabeleceu o tom da parceria. Este relógio é uma prova de virtuosismo técnico, apresentando dois tourbillons de eixo triplo que giram em velocidades distintas para compensar os efeitos da gravidade em todas as direções.

Além da complexidade dos tourbillons, a peça incluiu um repetidor de minutos decimal — uma complicação raríssima que soa intervalos de dez minutos em vez dos tradicionais quinze — e um cronógrafo monopulsador com indicador de tempo de referência. Visualmente, a peça incorporou as cores da Bugatti e materiais como o carbono, frequentemente utilizado nos chassis dos hipercarros.
O fenômeno Bugatti Chiron Tourbillon
Se o Twin Turbo foi o cartão de visitas, o Bugatti Chiron Tourbillon foi a peça que paralisou o mercado de luxo. Lançado em 2020, este modelo foi o primeiro a integrar um bloco de motor em miniatura dentro da caixa do relógio. O conceito era inédito: ao pressionar a coroa direita, o usuário inicia uma animação de 15 segundos onde 16 pistões de titânio sobem e descem dentro de um bloco de safira, movidos por um virabrequim sólido.

A construção deste modelo exigiu que a Jacob & Co. repensasse a arquitetura tradicional. O movimento, composto por 578 componentes, é suspenso por quatro amortecedores reais, protegendo o mecanismo contra impactos e permitindo que ele “flutue” dentro da caixa, exatamente como o motor de um Chiron. Ao longo dos anos, esta versão ganhou diversas variações:
- Chiron Blue Sapphire: Uma caixa esculpida inteiramente em um único bloco de safira azul, levando meses para ser polida.
- Chiron Rose Gold: Uma interpretação mais clássica, equilibrando o ouro 18 quilates com a agressividade da fibra de carbono.
- Chiron Baguette: Versões cravejadas com diamantes de corte baguete, elevando o preço para a casa dos milhões de dólares e fundindo a alta joalheria com a alta performance.
Bugatti Tourbillon: o sucessor e a nova era V16
Em 2024, acompanhando o lançamento do novo hipercarro da marca, o Bugatti Tourbillon, a Jacob & Co. apresentou uma peça que redefine o conceito de integração. Enquanto o relógio anterior era inspirado no motor W16, o novo modelo é uma homenagem direta ao novo motor V16 e ao painel de instrumentos analógico do carro, que é, por si só, uma obra de relojoaria.

O novo Bugatti Tourbillon da Jacob & Co. apresenta um bloco de motor V16 transparente, onde a animação dos pistões é ainda mais fluida e visível. A disposição do mostrador imita o painel de instrumentos do veículo, com ponteiros retrógrados que saltam de volta ao zero, simulando os conta-giros de alta performance. Esta versão marca uma transição para uma estética mais vertical e esguia, refletindo a aerodinâmica do novo carro. O nível de detalhamento nos acabamentos manuais e a complexidade do sistema de engrenagens colocam este modelo como o ápice da colaboração até o momento.
Jean Bugatti: uma homenagem à história
Diferente dos modelos que focam na força dos motores modernos, o modelo Jean Bugatti presta homenagem ao filho do fundador, Ettore Bugatti, e ao design clássico dos automóveis dos anos 1930. Este relógio é talvez o mais elegante e discreto da coleção, embora sua mecânica seja incrivelmente sofisticada.

Ele apresenta um mostrador que remete aos manômetros de carros antigos, com um cronógrafo de alta frequência que utiliza dois ponteiros centrais para medir segundos e décimos de segundo. O destaque visual são as duas aberturas para os tourbillons, que lembram os faróis de um Type 57. É uma peça voltada para o colecionador que valoriza a herança histórica e a sofisticação silenciosa, longe da estética hipertecnológica dos modelos Chiron.
Epic X Bugatti: a essência do design esportivo
O Epic X Bugatti Edition é a representação da performance bruta em formato de cronógrafo. Diferente das versões com blocos de motor animados, este modelo destaca-se pelo uso de materiais técnicos como o carbono forjado, que confere uma estética agressiva e uma leveza excepcional ao pulso.
O mostrador bi-compax é personalizado com as cores da bandeira francesa e o icônico emblema da Bugatti, reforçando a identidade visual das pistas de corrida de forma direta e esportiva. É uma peça que equilibra a alta relojoaria com a funcionalidade de um instrumento de precisão, ideal para quem busca uma conexão imediata com o legado de velocidade da marca.

Esta versão é marcada pela versatilidade e pelo uso estratégico de elementos da marca:
- Design: Em vez da simulação do motor, ele aposta em um mostrador bi-compax com as cores da bandeira francesa e o emblema da Bugatti.
- Material: A caixa em carbono forjado reforça a estética de “performance pura”.
- Proposta: É um cronógrafo mais direto, ideal para quem busca a identidade da marca em um formato mais esportivo e menos volumoso que o modelo Tourbillon.
O Epic X não tenta replicar a força de um motor, mas sim a sensação de precisão de um hipercarro, sendo voltado para o colecionador que valoriza a estética moderna e funcional.
O significado da colaboração para o colecionador
Para o cliente da Boaretto ou para qualquer entusiasta do mercado premium, o Bugatti Chiron Tourbillon e seus pares representam o triunfo do critério sobre a conveniência. Não se compra um relógio desses para saber as horas — tarefa que um objeto simples cumpre com perfeição. Compra-se para portar um testemunho do engenho humano.
Essas peças envelhecem como patrimônios. Elas não seguem a moda passageira do design minimalista ou das tendências digitais; elas celebram a mecânica física em um mundo cada vez mais virtual. O silêncio visual da marca Bugatti é interrompido apenas pelo som rítmico do turbilhão e pelo movimento dos pistões, criando uma experiência sensorial que une o tato, a visão e a admiração técnica. É a prova definitiva de que, quando duas marcas que não aceitam o “bom o suficiente” se unem, o resultado é, invariavelmente, extraordinário.
